PEDAGOGIA PARA ELEITORES LÚCIDOS. CLUBISMO E ELEIÇÕES.

PEDAGOGIA PARA ELEITORES LÚCIDOS. CLUBISMO E ELEIÇÕES.

Enquanto não tivermos um povo critico, com educação e um grau de exigência que exija políticos sérios, não teremos políticos sérios. Henrique Neto – Os eleitores exercem a cidadania como se a politica fosse “clubismo”, agarram-se a um partido para a vida, de forma acrítica, façam eles os erros que fizerem, os fieis elegem sempre o “seu” partido. Enquanto não tivermos um povo critico, com educação e um grau de exigência que exija políticos sérios, não teremos políticos sérios. A iliteracia politica e falta de espírito de cidadania, favorece e promove a corrupção, pois os portugueses deixam impunes nas urnas os partidos mais corruptos. Porque uns votam neles cegamente independentemente do mal que façam ao país, e a maioria não vota em ninguém, nem contra eles. Já rondam os 60%, o nr de eleitores que não usa o seu voto para proteger o país da corrupção, não votam contra os partidos corruptos já bem identificados. Nem mostram interesse em apoiar partidos novos e com gente honesta.

Um povo cego e confuso graças a anos e anos de treino. Os verdadeiros valores e sentimentos patrióticos de protecção que permitiriam aos cidadãos defender e manter Portugal limpo de corruptos oportunistas, foram apagados precisamente pelos corruptos manipuladores. As pessoas foram manipuladas/ treinadas pelos media e pelas campanhas eleitorais e outras que tais, para confundirem a responsabilidade cívica que todos temos de defender o interesse nacional e o país, com a defesa de partidos de estimação. Foram ensinadas a transferir esse dever cívico de lealdade ao país, por uma lealdade cega que defende é partidos. Para agravar este triste cenário, as pessoas ficaram reféns da adrenalina criada pelo suspense de saber quem ganha e quem perde as eleições, são assim levadas a torcer para que o seu voto seja vencedor, numa atitude acrítica e típica do espírito de claque, superficial, histérico, cego e injusto. Não importa quem merece ganhar, quem é melhor para o país, ou quem é mais honesto, interessa é que ganhe quem a claque apoia. A análise responsável do desempenho e da seriedade dos partidos e a justiça dos votos passou a ser feita de forma inconsequente como se se tratasse de um jogo de futebol, como se as decisões do eleitor em nada afectassem os destinos do país, porque os eleitores acreditam que a sua função é apenas fazer a sua equipa/partido ganhar, mesmo que esse partido/ equipa use e abuse da batota (corrupção). Começaram a defender os seus partidos com o mesmo fanatismo com que defendem os clubes de futebol, esquecendo que são os partidos que possuem o poder de destruir o país, de o roubar, de empurrar-nos para a miséria e sacrifícios. Vêem os partidos como sendo apenas o seu clube do coração, mesmo que façam batota, roubem, percam ou ganhem, façam asneira ou mintam, têm que ser defendidos pelos seus adeptos, contra tudo e contra todos.


Álvaro Santos Pereira foi um caso caso raro de coragem que há anos não se vê na politica, tentou enfrentar o poderoso loby da EDP, mas os portugueses, na costumeira ignorância e desinteresse pelos factos, insistiram em ajudar a EDP a desacredita-lo e a humilha-lo. Ou seja o povo atacou o seu próprio defensor e apoiou o seu explorador (EDP). Somos espertos ou não somos? Em Portugal os bons elementos continuarão a ser impedidos de chegar ao poder e defender o interesse do povo, pelos media que servem os maus, e pelo próprio povo que é um prolongamento da vontade dos partidos dominantes. Porque o povo analisa os factos de forma errada.

TEMOS OS POLITICOS QUE MERECEMOS SOMOS NÓS QUE OS MOLDAMOS UM POVO QUE NÃO VOTA NEM SABE USAR O VOTO JAMAIS SERÁ REPRESENTADO, TEMIDO OU SEQUER RESPEITADO E JAMAIS SABOREARÁ AS VANTAGENS DA DEMOCRACIA…

Em Portugal vence sempre a abstenção e a ignorância e os corruptos. O povo não sabe que o voto não serve apenas para votar a favor dos que mais se apoiam, serve também para votar contra os que mais roubam e mentem. O critério decisivo da democracia é a possibilidade de votar contra os partidos que há 40 anos destroem o país Karl Popper, sobre democracia, responsabilidade e liberdade. (…) Inicialmente, em Atenas, a democracia foi uma tentativa de não deixar chegar ao poder déspotas, ditadores, tiranos. Esse aspecto é essencial. Não se tratava, pois, de poder popular, mas de controlo popular. Desde o início que o problema da democracia foi o de encontrar uma via que não permitisse a ninguém tornar-se demasiado poderoso. E esse continua a ser o problema da democracia. (…)

Maria Paiva