Um pai dá uma palmada ao filho = segue queixa para a...

Um pai dá uma palmada ao filho = segue queixa para a Segurança Social/ CPCJ.

As crianças sabem disso, sentem essa impunidade e incapacidade dos pais e desobedecem-lhes, viram-se a eles e batem-lhes quando querem = não acontece nada (coitadas, precisam de um psicólogo). Uma palmada de um pai é crime, mas de um filho já não é.

Atualmente os pais podem até errar e muito na educação dos filhos, mas a forma como se formatou a nossa sociedade também está a complicar a vida aos pais e a propiciar a criação de cidadãos com falta de educação, de respeito, de civismo, vulgus, marginais e delinquentes antissociais.
Já não é o 1º pai que na escola me diz que o seu maior receio não é a educação que dá aos filhos, mas o receio do desencaminhamento que os mal-educados podem criar.

Depois temos o Ministério Público a suspender a Supernanny por ser um programa que mostra a realidade que ninguém quer falar, mas nada acontece aos meninos quando são malcriados com os pais em público ou quando filhos ou pais colocam todo o género de fotos e vídeos no facebook ou no youtube.
Aí já tudo é legal e não há nenhuma exposição pública, não é?

Se uma criança ajuda os pais em algum trabalho, por mais simples que seja, é trabalho infantil. Porém, se as crianças fazem novelas, séries televisivas ou publicidade expondo-se a troco de dinheiro, mesmo prejudicando a sua aprendizagem escolar, aí já é aceitável.
Então e os programas televisivos de vídeos para rir onde se expõem crianças e jovens em situações depreciativas e humilhantes ou de acidentes graves, já não causam urticária a ninguém?!


Crianças a participarem em Masterchef júnior e outros concursos, debaixo de grande stress e oportunismo não sendo raro dizerem coisas que não deviam ou a chorarem devido à pressão exercida, não é mal nenhum; mas mostrar a simples realidade de má-educação de crianças é um escândalo e ordena-se o cancelamento.
Na escola, na rua e na internet pode ser, mas na televisão é que não.

As representantes das associações de defesa dos direitos das crianças mostraram-se muito indignadas com o programa que, embora com fins lucrativos, prestou ajuda a pais desesperados que já tinham batido a várias portas sem obterem ajuda, além de muitos outros em casa. Então eu pergunto:
Onde é que elas estiveram em tantos casos de pais que pediram ajuda e não a obtiveram?
Onde tem estado a CPCJ que não resolve nada a tempo e horas?
Onde está o Ministério Público em tantos casos de maus-tratos, abusos e violência sobre crianças (e mesmo mães à frente dos filhos) que raramente resolveu alguma coisa?
Onde esteve esta instituição em tantos casos de retiradas ilícitas dos filhos aos pais e adoções ilegais?
E o tribunal de menores que mal atua, assim como a justiça que condena violadores e abusadores de crianças a penas suspensas ou irrisórias e insultuosas condenações, o que anda a fazer?
Afinal, onde tem estado toda esta gente que só agora é que acordou para uma realidade preocupante, não para propiciar um amplo debate nacional sobre a indisciplina e má-educação das crianças, mas apenas contra a existência do programa que expôs essa realidade?

Claro que depois de concretizado aquilo que queriam, agora tudo vai continuar na mesma como se nada se estivesse a passar de errado no país. Em pouco tempo já ninguém irá falar mais sobre o assunto.
Noutros países o programa continua há anos, mas por cá os portugueses não foram capazes de aguentar mais de uma semana. E porquê? É que, ao preferirem discutir a forma, evitam ter de falar do conteúdo.

A culpa vai continuar a ser dos professores que não sabem lidar com as crianças e a hipocrisia mantém-se numa sociedade doente e falsa em que o essencial não se discute e ninguém tem culpa de nada, porque os culpados são os mesmos de sempre.
Este é o retrato de uma sociedade hipócrita impregnada de falsos moralismos que prefere meter a cabeça na areia e fingir que nada acontece.

Agora podem ficar em paz e sossego. Já não há com que se preocuparem. Já podem ficar calma e serenamente a ver publicidades, séries, novelas, jogos e concursos onde crianças são usadas, expostas, humilhadas nas mais variadas situações. Mostrar o que se passa em casa é que não.
Ufa! Que bom que a felicidade regressou aos lares portugueses… e já não é preciso ninguém se preocupar com mais nada! Assunto resolvido!

Carlos Santos